Blogue

Colin Stetson encheu a sala, o palco e a alma

O SeixalJazz encerrou de sala, palco e alma cheios. Colin Stetson, inventivo e singular, tem a preocupação de proporcionar um espectáculo sempre diferente e o concerto desta noite não destoou. Foi único.

Acompanhado dos seus saxofones, completo e inteiro na sua arte, Stetson lembra um xamã. A sua música é ritualística, a sua presença encantatória, e a sua mestria mágica. Com estes dotes, o músico povoou o auditório com exércitos de fantasmas e assombrações, abrindo portas para outras dimensões, contrastantes com a sua postura simpática e comunicativa.

Ricardo Toscano, todo o mundo vai querer ouvi-lo

Na última noite com músicos portugueses do SeixalJazz, Ricardo Toscano Quarteto tocou perante uma sala cheia onde admitiu estar «grande parte da minha família». O saxofonista considerou o «dia especial» por tocar num «festival histórico, que já albergou muitos dos meus heróis e hoje estou aqui com a minha banda: os meus músicos preferidos».

Hugo Carvalhais e a viagem de Grand Valis no SeixalJazz 2016

Hugo Carvalhais Grand Valis trouxe ao SeixalJazz a comunicação entre dois pólos de uma mensagem misteriosa. A incompreensão, o conflito e a incompatibilidade, muitas vezes geradoras de turbulência, mas também de paz, entendimento e conciliação.

No concerto, com temas do último álbum, inspirado numa obra de Phillip K. Dick, a música expressou essa aproximação. As interferências da tecnologia no mundo moderno, mas também na Humanidade, enquanto recetora de uma mensagem supraceleste, que não tem a chave para descodificar.

Gonçalo Marques músico, compositor e pedagogo

No terceiro dia do SeixalJazz, Gonçalo Marques Quinteto subiu ao palco do Auditório Municipal do Seixal por duas vezes. A primeira, à tarde, para um concerto destinado a alunos do 2.º e 3.º ciclo, e a segunda, integrada nas noites de jazz do festival.

Apesar da presença das pautas, no quinteto a individualidade vale tanto quanto a soma das partes. Frequentes foram os momentos em que os músicos se afastaram para olhar a atuação uns dos outros, ainda com o gosto de se deixarem surpreender.

A cumplicidade com o público do SeixalJazz

Ainda antes do concerto ter início confidenciava-nos não saber onde podia chegar mas o quanto era especial saber que a sua música chega aos ouvidos de quem ouve.

A segunda noite do SeixalJazz começou com o som de um sopro. Ao centro do palco, ladeada por um pianista e uma violoncelista, Mette Henriette pareceu evocar um vento frio, a coberto do qual sabe bem rodear uma fogueira e ouvir contar histórias.

Dino Saluzzi Group @Seixaljazz 2016

A música de Dino Saluzzi Group soou na primeira noite do SeixalJazz «em busca de um mundo mais fraterno». As palavras são do próprio Saluzzi e foram proferidas no inicio do segundo set  do concerto de abertura do festival.

«Feliz por partilhar a música» com membros da sua família, o compositor de bandoneón, instrumento esquecido na Argentina durante muito tempo pelas suas raízes populares, lembrou que «o tango ou o fado são tão especiais como a música erudita» e que «para os tocar há que estudar».

Páginas