A cumplicidade com o público do SeixalJazz

Ainda antes do concerto ter início confidenciava-nos não saber onde podia chegar mas o quanto era especial saber que a sua música chega aos ouvidos de quem ouve.

A segunda noite do SeixalJazz começou com o som de um sopro. Ao centro do palco, ladeada por um pianista e uma violoncelista, Mette Henriette pareceu evocar um vento frio, a coberto do qual sabe bem rodear uma fogueira e ouvir contar histórias.

A partir desse sopro, a plateia assistiu expectante e consciente do seu próprio silêncio ao desenrolar de uma narrativa que em momento nenhum ousou interromper com palmas. De olhos fechados a maior parte do concerto e sem proferir qualquer palavra, a norueguesa valorizou esse silêncio e permitiu aos espetadores descobrir as suas melodias íntimas, ritmos e ruídos.

No final do set único, ao som dos primeiros aplausos da noite, o trio voltou ao palco para o primeiro encore do festival. Estava quebrada por fim a reverência com que as histórias da norueguesa foram ouvidas toda a noite. Tornava-se evidente outra narrativa. A história de uma cumplicidade entre o trio e o público do SeixalJazz.